Vivo das palavras inconscientes, secretas e invisíveis. Louca por cada detalhe teu. Sou eu... Sou eu, em ti. E não me descreveria melhor.

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segunda-feira, dezembro 3

Imagino-te aí... Sem mim. Vejo-me a mim, aqui. Sem nada.

A noite está gelada e tenho tanto para te contar...
Primeiro de tudo, hoje à tarde estavas de branco. Oh, como a perfeição encaixava tão bem em ti... E não era só hoje... Sempre foi. 
Segundo, as minhas arritmias, num dia só, transformaram-se em pesadelos tremendos e frustrantes. Não me largam e bombardeiam-me com lágrimas. Lágrimas capaz de encher a minha rua. Num ápice, sinto-as a derramarem-se bruscamente e rapidamente pelo meu rosto. São imparáveis e intensas. Não sei como controlar as minhas arritmias. Não faço a mínima, nem conheço, outro remédio para tal senão tu, o teu abraço e o teu beijo. Olhar-te e não poder receber isso vindo de ti, mata-me, quase me congela na estrada e me pára em frente do carro que vinha a alta velocidade. Quase. Imaginar-te aí, e não poder dizer o quanto te amo faz-me tão mal. Faz-me mal não te ter dado um último beijo e não te ter dito um último amo-te. O problema é que essa palavra está tão vandalizada que nem consegui dizê-lo pela ultima vez para não me arrepender de não ter dito uma palavra mais adequada que encaixasse no amor que tenho por ti.
E como desejava que neste momento estivesses a ler isto... E se por acaso chegaste a decorar ou até a guardar o nome no meu refugio, lê-me. Lê-me até ao fim como se a tua noite ainda fosse criança e não tivesses mais nada que a ocupasse. Diz-se por aí que a inspiração cresce, quando a tragédia vem. Mas escrever-te não se trata de inspiração, trata-se do meu amor por ti... E então? Então nunca existirá um final nas minhas palavras para ti... Escrevo-te agora, e parece que não tem fim. Talvez porque te tenha escrito pouco. Ou não. Talvez porque ainda faltava tanto e tanto para dizer e estou, por assim dizer, a descarregar tudo na frustração... Estou aqui, sem ti, vazia. Mesmo tendo mais coisas com que me preocupar, mais pessoas para amar, é frustrante o facto de ter ficado sem ti, assim, em segundos que não dão para uma expiração minha quando as arritmias me descontrolam. Vem-me acalmar a ansiedade... Vem destruir a minha dor. Só. Vem. 

4 comentários:

Aurora disse...

Destrói a dor. Está lindo, tu escreves bem <3

Aurora disse...

Está dentro de ti <3

Ana Margarida disse...

Que escrita encantadora.

Aurora disse...

Estou aqui